Com o lema “ Doe um agasalho e Aqueça a Comunidade do bairro Logradouro a ASSOBECATY Lança a campanha do agasalho 2014, as roupas arrecadadas este ano será distribuídas para a comunidade do bairro Lagradouro. Participe !
quarta-feira, 4 de junho de 2014
segunda-feira, 19 de maio de 2014
Mãe Carmen de Oxalá falou como tem levado adiante as conquistas da sua mãe (Mãe Quina de Iemanjá) Teia Nacional da Diversidade 2014 movimenta Natal
CULTURA
Teia Nacional da Diversidade 2014 movimenta Natal
Cultura
No campus da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) foram feitos credenciamentos para a abertura do Fórum
por Portal BrasilPublicado: 19/05/2014 20h00Última modificação: 30/07/2014 01h42
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Natal (RN) abriga, de hoje até o dia 24, a Teia Nacional da Diversidade 2014, um encontro que, nas palavras da secretaria de Cidadania e da Diversidade Cultural (SCDC/MinC), Márcia Rollemberg, "é a primeira conferência setorial da cultura".
Hoje, no campus da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) foram feitos credenciamentos para a abertura do Fórum Nacional dos Pontos de Cultura, também para o Encontro Nacional de Pontos de Cultura Indígena e o Encontro de Gestores.
Diversidade
Próximo à Tenda da Diversidade, vinda de Pau dos Ferros, sertão do Rio Grande do Norte, Marta Pontes, cumprimentava e posava para fotos com mãe Carmen de Oxalá, de Guaíba, Rio Grande do Sul. Foi um encontro muito especial para as duas.
Marta contava que Pau dos Ferros é pequena, com 30 mil habitantes, cidade sofrida, marcada pelas secas, mas que fez da cultura um diferencial. "Das nossas marcas, fizemos força para trabalhar com comunidades e grupos de jovens, promovendo xaxado e forró, priorizando quadrilhas juninas. Quem vem de outros estados arrasta o pé nas festas do Centro Cultural Pauferrense", contava animadamente a gestora de cultura.
Mãe Carmen de Oxalá falou como tem levado adiante as conquistas da sua mãe (Mãe Quina de Iemanjá). "Somos o primeiro ponto de cultura de matriz africana conveniado com o estado do Rio Grande do Sul. Estamos trabalhando o mapeamento de terreiros, e avançando numa proposta que minha mãe deu início ainda em Pelotas. Na década de 70, chegamos em Guaíba e faz 14 anos que estou à frente do terreiro. Em resumo: O que fazemos é exercitar valores civilizatórios africanos."
Como Ponto de Cultura, a Associação Beneficente Cultural Africana Templo de Iemanjá Assobecaty trabalha desde segurança alimentar até uma abordagem especialmente focada nas culturas das diferentes etnias para lidar com a questão da contaminação pelo vírus HIV/Aids. "É um tema difícil, mas estamos conseguindo! Temos uma importante ação a ser feita junto às diferentes comunidades, na prevenção de HIV/Aids. Cultura é forte aliada, mas é preciso ter vínculo com as pessoas. Falar como elas para que compreendam é fundamental e isso não é só pensar na língua, na mensagem, mas no sentimento, cultura mesmo."
Mãe Carmen conta que no Ponto de Cultura eles têm um bom problema para administrar: a fila que se forma para usar os 11 computadores do telecentro. "As mulheres estão disputando o computador com os jovens. Todos querem acessar as redes sociais! E a gente vê isso como uma oportunidade. Em vez de deixar formar as filas que eles já enfrentam por ai, em outros serviços, a gente propõe dinâmicas de grupo. Aproveita o tempo."
Em ações sociais, são atendidas diretamente no Ponto de Cultura Ilê Axé Cultural (Casa da Força Cultural), cerca de 1200 famílias (6 mil pessoas). Ao disputar e ser selecionado em edital lançado pelo governo do estado (Batuque do Sul promovendo a vida), o terreiro atende outras 60 casas com a política de prevenção ao HIV/Aids. Mãe Carmen ainda arranja tempo para ser blogueira. "Comunicação é tudo".
Também chegando cedo na praça Cívica do Campus da UFRN, Renato Tupiniquim, do Espírito Santo, contou que participa do Colegiado Indígena dos Pontos de Cultura. Chegava à TEIA com um sentimento de muita esperança nas discussões. "Minha expectativa é uma discussão sincera e que a gente caminhe para fortalecimento dos pontos."
Com esse mesmo espírito, delegações da Bahia e Rio de Janeiro, puxavam uma roda de canto na fila do credenciamento: assim, e com muitas imagens e depoimentos mais, está só começando a Teia da Diversidade 2014.
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quarta-feira, 23 de abril de 2014
Quando a juventude se encontra em Brasília e discute políticas públicas culturais – Ponto de Cultura Ilê Axé Cultural Assobecaty esteva lá
24 de abril –Guaíba- RS –Brasil
REVISTA CONEXÃO AFRO
24.04.2014
Artigo da estudante Yasmin Thayná publicado no Brasil Post
Eu não tinha conseguido derramar lágrimas intensas durante esses dias tenebrosos no Rio de Janeiro. Esses dias de Amarildos sumidos, Claudia arrastada, jovem negro amarrado no poste e tantos outros casos de extermínio do povo negro. Mas foi no aeroporto de Brasília que derramei as lágrimas assim que olhei para o céu e já estava de noite. Já tinha deixado o ônibus com uma parte dos jovens mais importantes do país. Já não estava morrendo de rir com a história do psicodrama e a psicopiada do Jean, filho do Nelson Triunfo. Que garoto gente fina e bem humorado!
Já não estava rindo de doer a barriga com a Cinthya do São Miguel do Gostoso gritando torcendo pelo Vasco da Gama dentro do ônibus que nos levava ao aeroporto.
Estava partindo para o Rio com ainda mais vontade de fazer coisas, de estar participando mais ativamente desse tipo de construção. Chorei de emoção e dor: encontrei, no Curto Circuito da Juventude, pessoas que nunca encontraria se fosse esperar pelo planejamento geográfico do Brasil, que não foi feito para os encontros. De dor chorei porque boa parte da discussão foi pelo fim do extermínio da juventude negra no Brasil. E tem que ser assim. Enquanto o nosso povo negro estiver morrendo por esse Estado exterminador, não nos calaremos! Enquanto discutíamos políticas públicas para a juventude, um jovem negro foi assassinado na Maré.
No avião, parei de chorar e disse para mim: eu quero voltar muitas vezes, mas quero um dia participar de um encontro desses quando não for mais jovem para ouvir a juventude futura discutir suas políticas públicas. Quero que o extermínio da juventude negra não seja pauta e que tenhamos uma cultura que preze pela diversidade, com menos burocracias e para todxs. Que o povo cigano, indígena e quilombola sejam respeitados. Chega de extermínio!
Participei de um encontro onde boa parte era composta pela juventude negra. Pela primeira vez, entrei num lugar que não era um encontro específico para pretxs, fiz a minha clássica pergunta: quantxs pretxs? E vi MUITXS. Gente do interior do Acre, de Manaus, de Alagoas, Rio Grande do Norte, Sergipe, Pernambuco, Maranhão, Bahia, Goiás, Pará e tantos outros lugares. De quebra, no final do primeiro dia, assisti um show maravilhoso do Gog. Não é pouca tiração de onda não.
Foi o primeiro encontro de cultura que eu me senti parte importante. Onde vi que tinha coisas importantes para dizer, que eu podia participar ativamente sem medo de errar, sem medo de expor os problemas que a minha juventude enfrenta. Eu pude falar sem ser censurada, sem ser menosprezada. Tivemos todos esse espaço de fala que tanto falta dentro dos debates de cultura. O jovem é sempre um espectador. Na maioria das vezes tem alguém decidindo por nós. Estamos mudando!
Participei do primeiro Curto Circuito da Juventude com a Ministra Marta Suplicy ouvindo nossas necessidades talvez até um pouco surpresa com o grupo potente que esteve presente lá durante três dias. Pesadão! Esse grupo era pesadão.
No primeiro dia, todo mundo falou o nome, a idade, de onde é e o que faz. Só nessa rodada de apresentação, já valeu. Gente de todos os sertões brasileiros (periferias, interiores, favelas, quilombos, ocupações), e grandes cidades. Todos com ação no território. A maioria não institucionalizada, muitos coletivos, sujeitos fluidos que apavoram no país. Elxs querem desburocratizar os editais públicos de cultura, investimento continuado, diminuir fronteiras, ter o orgulho de contar quem são, instalar impressoras 3D em equipamentos públicos que disponibilizam computadores e internet em comunidades e centro de referência da juventude, um número maior de mulheres na computação, ampliar o Pronatec, criar micro-centros de formação, lançar uma prática de troca de pares entre os coletivos (para que eles aprendam um com os outros a resolver o problema que já lhe pertenceu), investimento direto para a juventude de maneira não meritocrática, que a juventude LGBT possa criar uma secretaria dentro do Ministério para criar suas políticas públicas, ônibus para a juventude ir para as ações em seus terreiros, baile funk, entre outros; instituição do passe livre, acesso à memória: substituição de figuras públicas que nomeiam as ruas, edifícios e outros equipamentos por atores históricos ligados às tradições e lutas por direitos, volta do edital Ponto de Mídia Livre Anual, entre outros.
Josinaldo do Mate com Angu, morador da Maré, puxou o assunto sobre o que está acontecendo na Maré com as ocupações militares. Os jovens fizeram um ato simbólico em apoio a todxs xs moradorxs do Complexo e incentivaram o Ministério da Cultura dialogar com os outros Ministérios.
Fiquei pensando o que é encontrar jovens como eu para discutir políticas públicas. Somos afetivos (de verdade!!), emocionados (mas não deslumbrados!!!), acreditamos uns nos outros, nos respeitamos, estamos sempre dizendo ao outro: máximo respeito. Trocamos WhatsApp, beijos, abraços, nos apaixonamos uns pelos outros, trocamos Facebook, conversas pautadas no futuro da cultura. Nos olhamos, nos tocamos, discutimos muito. Foi isso que fizemos durante os três dias.
Queria deixar um salve aqui para a equipe inteira que produziu o evento. Um salve super especial ao Guti Fraga, que almoçou com a gente, olhou nos nossos olhos, prestou atenção, ficou com a gente o tempo todo, não deixou a gente em momento nenhum. Muito obrigada!
A minha sorte foi ter voltado ao lado do Cebolinha, do bonde do passinho. Conversamos sobre editais, passinho, funk e subúrbio. Além de dividir o fone de ouvido comigo, ele disse: "agora sou um evangélico candomblecista. Me identifiquei com os caras, fiz uma nova família. Os manos dos terreiros deveriam fazer coisas junto com os evangélicos".
Conheci maior galera maneira. Deixo aqui o link (poucos, não dei conta de pegar todos) para alguns dos trabalhos sensacionais que marcaram presença no evento. Deixo aqui meu muito obrigada a todxs vocês que hackearam esse encontro!
· Keila Serruya é uma cineasta de Manaus que faz uns corres com vídeo junto com o grupo que se chama Picolé na Massa: http://vimeo.com/keilaserruya
· Leila Tupinambá é produtora do Eu Amo Baile Funk, aqui no Rio de Janeiro:http://www.euamobailefunk.com/
· No sabadão, participei do Sarau Radical, numa quebrada de Brasília, em São Sebastião realizado pela galera do Radicais Livres - SA. Essa edição foi mais do que especial. Teve Maracatu, Jean filho do Nelson Triunfo no beat box para o Mc Caio da VP cantar que "mulher nenhuma no mundo merece ser estuprada", entre outras intervenções artísticas do pessoal que foi ao encontro.
· Lá no Sarau, conheci o Magu Diga How, Rapper lá de São Sebastião:http://www.digahow.com.br/site/
· Marcinho Zola é diretor no grupo Instiga Gestão Cultura, lá em Porto Alegre:https://www.facebook.com/instiga.gestao.producao
· Luiz Fernando é ator e produtor no Coletivo Peneira e também produz o Sarau do escritório, no Bar da Cachaça, aqui no Rio:https://www.facebook.com/ColetivoPeneira
· Nilo Mortara é do Paraná e faz parte do Instituto de Cinema e Vídeo de Londrina- Kinoarte: https://www.facebook.com/fanpagekinoarte?fref=ts
· Conheci a Janaina, do Circo Crescer e Viver. Ainda quero hacker muito contigo! O pessoal do Circo, além de ter um programa super importante de circo social, está produzindo o maior festival internacional de circo:http://www.festivaldecirco.com.br/
· Cinthia Matos de São Miguel do Gostoso, no Rio Grande do Norte, faz parte do espaço de cultura e direitos humanos, o Tear: http://tearcultura.blogspot.com/
· O Mil Onilètó lá de São Luis do Maranhão faz parte da Rede Mocambos- Ma / Ile Ase Alagbede Olodumare / Juventude de terreiro.
· A Hanna, de Niterói, faz parte da Revista Biblioo. Vale a pena ler o que ela escreveu sobre o encontro: http://biblioo.info/cultura-pra-quem/
· Pai Júnior do Axé Talabi, de Pernambuco, é idealizador do projeto Comida de Santo: Poéticas Ancestrais da Culinária nagô:http://projetocomidadesanto.blogspot.com.br/
· Suellen Tavares é do Rio, faz parte do querido Grupo Cultural Jongo da Serrinha e também é uma das Jovens Lideranças Jongueiras do Sudeste:http://jongodaserrinha.org/
· André Luis da Associação Jongo Dito Ribeiro/Ile Omonibu Axé Beje-Ero/Jovens de Terreiro RMC/ Coletivo Saravaxé:http://comunidadejongoditoribeiro.wordpress.com/
· Luiza Mançano do CineKombão e Marcha Mundial das Mulheres:http://cinekombao.wordpress.com/
· Greice Ellen de Guaíba, Rio Grande do Sul do Ponto de Cultura Ilê Axé Cultural - Assobecaty (Associação Beneficiente Cultural Templo de Yemanjá):http://templodeyemanja.blogspot.com.br/
A equipe do evento fez uma série de vídeos e fotos com os participantes. Confira alguns vídeos:
Fonte: Publicação de 23.04.2014 no site BrasilPost
Vídeos: Diego Barreto
Publicação: Ascom / MinC
CONEXÃO AFRO conexaoafro@gmail.com
Falar com Mãe
Carmen de Oxalá CONEXÃO AFRO
(51) 81810404 / (51) 30556655
terça-feira, 18 de março de 2014
Fica em Guaíba a primeira casa de matriz africana do Rio Grande do Sul a obter o reconhecimento como Ponto de Cultura.
Data:18/mar/2014, 8h13min
Pontos de Cultura atendem a um direito básico do cidadão, como a saúde e a escola
A tribo Oi Nóis Aqui Traveiz é um dos grupos que integram os Pontos de Cultura e são beneficiados pelo governo do Estado | Foto: Pedro Isaías Lucas
Adélia Porto Silva
Eles têm poucos recursos, pouca visibilidade e quase nenhum apoio, mas desempenham um trabalho persistente, importante e corajoso. São grupos de cidadãos que militam em atividades culturais como música, dança, teatro, mas também em ações de educação ou de economia solidária. Compõem uma rede informal de rica diversidade cultural e são fortemente vinculados às comunidades a que pertencem. Desde 2012, esses grupos culturais estão podendo receber apoio financeiro e acompanhamento técnico por parte do governo estadual, em convênio com o governo federal, através do Programa Rede RS de Pontos de Cultura.
Na segunda semana de fevereiro, por exemplo, 43 representantes de grupos participaram na Casa de Cultura Mario Quintana de um curso de formação em gestão cultural, promovido pela Secretaria de Cultura. O curso, que tem um módulo presencial de três dias e outro à distância, com duração de dois meses, trata de temas como economia da cultura, planejamento e gestão cultural, prestação de contas e aspectos jurídicos. O objetivo, diz o diretor de Cidadania e Diversidade Cultural, da Secretaria de Cultura, João Pontes, é ajudar a instrumentalizar os grupos para o gerenciamento, geração de recursos, busca de novos caminhos e oportunidades. “É a sociedade que produz cultura”, diz Pontes. “O Estado oferece apoio”.
Na segunda semana de fevereiro, 43 representantes de grupos participaram na Casa de Cultura Mario Quintana de um curso de formação em gestão cultural | Foto: Sedac / Divulgação
O programa Pontos de Cultura nasceu como política de base do Cultura Viva, do Ministério da Cultura, em 2004, na gestão de Gilberto Gil, para reconhecer, apoiar e articular projetos culturais já existentes nas comunidades. Alguns municípios gaúchos chegaram a fazer convênios isoladamente com o governo federal, dentro do programa – cerca de 40. Mas em 2012, o governo do Estado assinou com o MinC um convênio pelo qual ambas as esferas passam a atuar em conjunto, oferecendo fomento financeiro e apoio aos grupos, selecionados em editais. O governo federal participa com 80% dos recursos e o Estado, com 20%, num total de 18 milhões para 160 grupos selecionados. Projetos de municípios com até 10 mil habitantes recebem 60 mil reais em parcelas durante três anos. Os de cidades com mais de 10 mil habitantes recebem 180 mil reais por igual período de tempo. Os recursos se destinam em parte à aquisição de equipamentos e o restante, ao custeio. Um primeiro edital selecionou 82 grupos culturais em todo o RS. Outro edital, em fevereiro passado, previu a seleção de 78 novos grupos. Ao ter seu projeto de trabalho escolhido, o grupo é reconhecido pelo programa como Ponto Cultural, um reconhecimento que funciona como qualificação. O Rio Grande do Sul foi um dos últimos estados, junto com o Paraná, a aderir ao programa federal.
Desenvolvimento e cidadania
O programa deixa de considerar a cultura como bem periférico para as pessoas e passa a tratá-la como parte integrante da vida da comunidade. “A cultura está na pauta do desenvolvimento do Estado”, argumenta João Pontes, da Sedac. “A ideia é que a cultura gera renda, emprega pessoas, movimenta a economia de diferentes formas e contribui para a inclusão social”. Dados de pesquisa mostram que 7% da economia brasileira são vinculados à cultura, o que acompanha a média mundial.
João Pontes: “A cultura está na pauta do desenvolvimento do Estado” | Foto: Divulgação
Os grupos que estão tendo sua importância reconhecida são, diz João Pontes, “historicamente excluídos de tudo – das políticas públicas, do financiamento e dos meios de comunicação privados”. A grande indústria cultural os relega a uma condição de invisibilidade. A nova visão sobre a questão pretende compreender os direitos culturais como prevê a Constituição: bens e serviços culturais são direitos sociais básicos. “Os Pontos de Cultura dentro dos sistemas estadual e federal cumprem o mesmo papel que o posto de saúde e a escola”, diz Pontes.
Para o coordenador do projeto na Secretaria da Cultura, Ricardo Oliveira, “o Estado não tem a capacidade nem a atribuição de fazer cultura. Quem faz cultura são o cidadão e as comunidades. Cabe ao Estado a ação política para estimular a cidadania cultural”. Oliveira considera que o saldo mais importante dessa política é a articulação em rede e a possibilidade dos grupos se encontrarem, trocarem informações e experiências, verem a si mesmos, ganhando autonomia e reconhecimento. A distribuição dos Pontos de Cultura leva em conta a divisão territorial: cada uma das nove regiões funcionais do Estado tem um Ponto de Cultura. Existe também a preocupação de reconhecer como Ponto grupos estabelecidos nos Territórios da Paz, onde o governo procura atuar na área de segurança melhorando os serviços públicos e a qualidade de vida da população.
A noção de cultura merece um tratamento específico. Ela não se limita às manifestações artísticas. “Hoje se avança na construção de uma base teórica e conceitual da cultura”, diz Ricardo Oliveira. Na conceituação ampliada, a cultura perpassa questões de saúde, de economia solidária ou movimentos sociais e campesinos. Ou, segundo o próprio Gilberto Gil, “todo trabalho humano é para a cultura e pela cultura. A senhora que vai à missa, a outra que vai ao terreiro de candomblé, outro que vai ao futebol, outro que vai namorar, tudo isso é cultura”. A diversidade está representada nos projetos selecionados, que tanto podem ser grupos de tradição afro, quilombolas, indígenas, de economia popular solidária, meio ambiente, agricultura familiar, cultura digital, educação, música, dança, teatro. A exigência é que tenham o reconhecimento da comunidade.
Ilê Axé Cultural: em Guaíba, o resgate da tradição afro
Fica em Guaíba a primeira casa de matriz africana do Rio Grande do Sul a obter o reconhecimento como Ponto de Cultura. O convênio que cria o Ponto de Cultura Ilê Axé Cultural foi assinado recentemente e a responsável pela casa, Carmem Lucia de Oliveira – Mãe Carmem de Oxalá, comemora: “Se chegamos até aqui sem recursos, a partir de agora nosso trabalho vai aparecer mais ainda”. A casa existe desde 1943 e tem uma longa tradição de serviço e de agregação social na comunidade do Jardim Santa Rita, em Guaíba. Mãe Carmem é sucessora de sua mãe e a casa sempre foi regida pela força feminina, tanto no campo espiritual quanto social. “Em pequena, via minha mãe receber e orientar muitas pessoas, principalmente mulheres”, conta, lembrando a atuação de guia solidária que a mãe desempenhava.
Mãe Carmem: “Nosso trabalho é ajudar a tornar digna a vida das pessoas” | Foto: Sedac / Divulgação
“Nosso trabalho é ajudar a tornar digna a vida das pessoas”, diz. Além de preservar e valorizar a cultura afro, devolvendo identidade e orgulho às pessoas, a casa oferece à comunidade oficinas e atividades práticas de aprendizado e de trabalho. Por iniciativa da Ilê Axè Cultural, foram identificadas e preservadas duas áreas na cidade – a Pedra de Xangô e a Gruta de Oxum, ambas na praia da Alegria – , espaços outrora habitados por negros escravizados. “Nossas atividades culturais desembocam nesses espaços”, diz ela. A casa dispõe de um telecentro aberto à comunidade. Com 11 máquinas, não dá para atender todos ao mesmo tempo, por isso existe um horário de uso. Quando o jovem deixa o computador para ceder o espaço a outro, vai para uma “roda de conversa”, que tem a coordenação de alguém do grupo, onde tem oportunidade de falar sobre temas de sua realidade e onde a questão da identidade é um dos assuntos que mais aparecem.
O projeto selecionado pelo programa é composto por três eixos: culturas populares – oficinas de capoeira, ritmos e danças; grupos étnicos culturais – resgate cultural, popularização das festas, exposições; e incubadora cultural, onde os jovens têm acesso a equipamentos como instrumentos musicais, máquinas fotográficas, filmadoras e equipamentos de som, oferecendo a possibilidade de projetarem o futuro. Uma das primeiras aquisições que a casa fará com os recursos repassados pelo projeto será aparelhos de ar condicionado que vão melhorar o conforto dos usuários no telecentro.
Com os recursos da Rede RS Pontos de Cultura, a tribo Oi Nóis Aqui Traveiz vai investir nas oficinas que oferece em alguns bairros de Porto Alegre | Foto: Pedro Isaías Lucas
A história heroica do Ói Nóis Aqui Traveiz
Com uma história heroica de 35 anos, a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz é um dos projetos reconhecidos pelo Rede RS Pontos de Cultura. Obter patrocínios não tem sido frequente na vida deste grupo que optou por subverter a estética e a experimentação teatral com base no teatro revolucionário e no pensamento do francês Antonin Artaud, ligado à arte surrealista e ao movimento anarquista. “O grupo tem desenvolvido ao longo do tempo diversas formas de sustentabilidade”, diz Marta Haas, que trabalha com a tribo desde 99, primeiro como aluna de uma das oficinas e agora dando aulas de iniciação teatral. Só depois de 28 anos de atuação, o grupo obteve um patrocínio – da Petrobras – que se manteve até o final do ano passado, custeando muitas das despesas. As pessoas mantêm atividades paralelas e não dependem financeiramente do trabalho que fazem no grupo. “Os recursos que virão agora vão garantir a continuidade de algumas oficinas em bairros”, diz Marta. Possibilitarão também qualificar o equipamento audiovisual do grupo. Ela acredita que, por ter sido reconhecido como Ponto de Cultura, Ói Nóis Aqui Traveiz terá mais facilidade em atuar em rede com outros grupos e com outros Pontos de Cultura.
O grupo teve como sede durante muitos anos a Terreira da Tribo, em mais de um endereço, na Cidade Baixa. Desde 2000, ocupa um espaço no bairro Navegante, onde funciona como Escola de Teatro Popular. Toda a organização do grupo é coletiva, desde a criação e montagem dos espetáculos à manutenção do espaço. As oficinas de formação de atores, uma das vertentes do trabalho do grupo, são gratuitas, em seis bairros da cidade.
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sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014
Guaíba terá biblioteca modernizada e Ponto de Cultura de matriz africana
O município de Guaíba foi contemplado em dois editais da secretaria de Estado da Cultura: de Modernização de Bibliotecas Públicas e dos Pontos de Cultura. Na tarde da última quinta-feira (06) o secretário da Cultura, Assis Brasil, visitou os dois espaços, acompanhado pelo diretor de Cidadania e Diversidade Cultural, João Pontes, e pelo coordenador dos Pontos de Cultura na Sedac, Ricardo Oliveira.
Para modernizar a biblioteca com a compra de novos livros, mobiliário e equipamento de informática o município recebeu R$ 55 mil. A tele centro já está montado e agora será licitada a compra dos livros.
Biblioteca pública de Guaíba recebeu R$ 55 mil para modernização
Até o final de 2014 serão 157 as bibliotecas modernizadas. Desde 2011 já foram selecionadas 85 bibliotecas que receberam recursos para a compra de acervo, equipamento de informática e mobiliário. O investimento total é de R$ 4,015 milhões, por meio de convênio com o Ministério da Cultura. Os municípios com mais de 10 mil habitantes recebem R$ 55 mil e os com menos de 10 mil habitantes recebem R$ 20 mil.
Solar de Gomes Jardim teve papel importante na revolução Farroupilha
O prefeito em exercício, Rogério Souza, e a secretária municipal de Turismo e Cultura, Cláudia Mara Rosa, apresentou ao titular da cultura do estado o espaço Vitrine Cultural, com uma linha do tempo sobre a participação do município na Revolução Farroupilha e o Sítio Histórico onde está o Solar Gomes Jardim, onde os farrapos decidiram a tomada de Porto Alegre. Assis Brasil elogiou o trabalho desenvolvido nos dois espaços. Segundo ele , o solar Gomes Jardim é um dos poucos exemplos da arquitetura do século dezoito no estado e é exemplo de preservação do patrimônio, principalmente porque é uma iniciativa do próprio proprietário.
A força da cultura africana
Guaíba possui diversas ações de preservação e resgate da cultura africana. Uma delas é desenvolvida pela Sociedade Beneficente e Cultural Africana Templo de Yemanjá ( Assobecaty), que a partir de agora é um Ponto de Cultura.
O secretário Assis Brasil visitou o local onde será a sede do Ponto e conheceu o projeto em desenvolvimento. Um tele centro já está montado e sendo usado pelas crianças da comunidade, as demais atividades estão em fase de implantação. Assis Brasil falou sobre a cultura como agente transformador social. Ele disse que toda manifestação cultural gera alguma manifestação crítica sobre o social e com isso incentiva uma reflexão que pode gerar uma transformação.
O projeto Ilê Axê Cultura, coordenado pela psicóloga e yalorixá Carmen de Oxalá, tem o objetivo de oferecer aos grupos produtores e zeladores das manifestações artísticas tradicionais de matriz africana suporte material e instrumentalização para organizar saberes. Os grupos serão organizados em quatro núcleos de produção autogestionários: escola de capoeira, cultura Hip Hop, festas populares afro gaúchas e produção artesanal criativa.
Rede RS de Pontos de Cultura
O Rio Grande do Sul terá uma ampliação de 128,26% nos Pontos de Cultura até o final de 2014. A Rede RS de Pontos de Cultura tem como objetivos a promoção da diversidade cultural, o empoderamento, o protagonismo, a autonomia, a articulação em rede (produção colaborativa, compartilhamento de saberes e gestão compartilhada entre sociedade civil e poder público).
Os Pontos de Cultura contarão com inúmeras ações de apoio e acompanhamento, como a realização de seminários anuais de qualificação em assuntos relativos à gestão cultural, oficinas temáticas, prêmios de incentivo ao compartilhamento de tecnologias sociais inovadoras, equipe de assessoramento, uma van contando com equipamentos digitais, audiovisuais e de som, a publicação de cartilhas, revistas, portal virtual, além da realização de encontros de intercâmbio, articulação e mostra de produtos.
Fonte: Secretaria de Estado da Cultura
segunda-feira, 13 de janeiro de 2014
Vai rolar uma oficina super bacana do Conexões Globais no Ponto de Cultura Ilê Axé Cultural Assobecaty. Y
Vai rolar uma oficina super bacana do Conexões Globais no Ponto de Cultura Ilê Axé Cultural Assobecaty. Yá Carmen de Oxalá II, será bom demais!
Inscrições ABERTAS para Oficina de Redes Sociais em GUAÍBA!
http://bit.ly/KhsTn2
Vai rolar neste sábado (18) no Ponto de Cultura Ilê Axé Cultural Assobecaty, em Guaíba, a Oficina de Redes Sociais e Edição de Imagem e Vídeo. Tod@s @s ativi…Ver mais
— com Jaqueline Bica e Gabriel Galli Arévalo.
quinta-feira, 26 de dezembro de 2013
ASSOBECATY assinou o convênio com a Secretária de Estado da Cultura–SEDAC RS , PONTO DE CULTURA ILÊ AXÈ CULTURAL
É com imensa alegria, que comunico que segunda feira assinamos o convênio do Ponto de Cultura Ilê Axé Cultural Assobecaty. O Ilê que herdei de minha mãe biológica "Mãe Quina de Yemanjá, agora é reconhecido e investido pelo governo brasileiro como uma casa de força cultural.
Para que chegássemos a essa condição, ao longo dos treze anos que estamos a frente do ilê, só foi possível pelo esforço e comprometimento de filhos, netos, profissionais liberais, agentes culturais, educadores sociais e articuladores políticos, que foram conquistados pela sua proposta e se dispuseram colocar sua força de trabalho, criatividade, e seu talento, a serviço do fortalecimento da Casa tradicional de Matriz Africana. Agradeço a ancestralidade africana,Aos orixás e principalmente os orixás sustentadores dos pilares do ilê Assobecaty Mãe Yemanjá e Pai Oxalá. Adupê '!